Delhi pelos meus olhos

 

Vamos? Perguntei eu.

De manhã cedo saímos sem demoras. Temos tanta coisa para ver que eu já só quero ir.

– 80 rúpias – pedia-nos o senhor do Tuktuk.

– 60 rúpias – rematámos nós.

É sempre isto, esta guerra de acerto de preço que até tem a sua piada.

A polícia mandou-nos parar. Éramos 5 num tuktuk com capacidade para 3. Lá pagámos a multa e com menos 100 rúpias nos bolsos seguimos viagem.

Chegados ao destino saímos da plataforma do metro e ficámos ali, só a olhar. Cheio, cheio de pessoas por todas as direcções, animais, tuktuk’s, motas, ruas e ruelas… É assim Chandni Chowk! E o primeiro desafio estava lançado: encontrar o Jama Masjid. Sobre 3 rodas e a acompanharmos o barulho do motor, o tuktuk (novamente) lá nos conduziu.

Pés descalços, vestes a cobrir os ombros e pernas e lá estava eu a fitar a maior mesquita da Índia. Embrenhada no turbilhão da cidade, com o cantar das buzinas, conversas paralelas e o sol a fazer-se sentir, era impossível de ignorar – estava em Delhi. Não se resumia apenas aos meus devaneios, nem a uma luta de fantasia com realidade, estava realmente lá. Andei ao seu redor e apresentei-me a todos os cantos que havia para conhecer, percorrendo os tapetes vermelhos que protegem o chão desenhado e passando as várias portas rendadas com inúmeros detalhes.

Difícil de sair do pensamento e ainda a vaguear na memória, eis que se impôs o Red Fort. A entrada misteriosa suscita suspense e curiosidade e uns passos depois mergulhei no seu infinito interior. É incrível o sossego que reina dentro daquelas paredes, ajudado pelos jardins que o abraçam, o que me faz por momentos esquecer que estou no meio desta cidade frenética.

Entrámos no Uber e sem saber estava prestes a conhecer o que me deixou sem palavras.

Sem palavras! Arrebatada com todas as imagens que me invadiam os olhos. Tanto para ver de uma só vez. Estava em Akshardham, o maior templo hindu do mundo.

Rendi-me.

Mais uma vez de pés descalços fui desbravando os caminhos. No meio do silêncio e ainda embasbacada contemplei a sua presença, os seus detalhes infindáveis que parecem que me segredam histórias ao ouvido, os seus vaidosos jardins que me rodeiam e me deixam a mim também vaidosa, e acima de tudo a paz que paira no ar. É absolutamente esmagador. Senti-me como que transportada para uma dimensão imaginária, como se deste mundo não se tratasse. Com um chão de pedra branca que brilha, uns jardins trabalhados, um lago maravilhoso e todos os detalhes, estátuas e gravuras, como não ficar rendida?

Com mais de um par de horas saboreia-se este magnífico templo. Vale a pena dar-lhe tudo de nós.

Ao mesmo tempo que o sol me fugia da vista, sendo este um cenário mais que perfeito, contemplava agora o Templo de Lótus. Aqui, tudo encaixa na perfeição. O verde envolvente e todos os raios de sol que espreitam e trespassam a estrutura oferecem-nos um espectáculo visual, como um verdadeiro postal, mesmo ali à nossa frente. Se pudesse, ai se pudesse, congelava o momento, só para apreciar este postal real durante mais tempo.

Segui para o Templo ISKCON, onde as pessoas cantavam e exaltavam as suas rezas e eu, como curiosa que sou fiquei num canto a absorver tudo de diferente que se passava à minha volta. O sino tocou uma, duas, três vezes e por ai fora. Existe um género de um ritual: todas as pessoas ao entrarem no templo tocam o sino que está na porta de entrada e de seguida sentam-se no chão aleatoriamente. Os tectos têm gravuras e uma luz azul néon em todo o seu redor que dominou os meus olhos, mas a atenção acabou por ser roubada por um castiçal gigante, em forma de flor com várias pétalas.

Já com a escuridão no céu despedi-me de ISKCON e também de Delhi. Era tempo de voltar a casa.

Fiquei completa.

Absorvi todos os lugares, todas as diferenças. Deixei-me levar pelas singularidades, pelos cheiros e pelas cores.

Vivi pela primeira vez Delhi.

 

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