A pérola de Agra

Quando a lua dá lugar ao sol.
Entra-nos pela janela dentro, senhor de si mesmo, sem pedir licença.

Pouco depois das 5h da manhã tínhamos um senhor à nossa espera, de mim e de mais 4 portugueses. De olhos meio fechados o caminho até Agra foi-se encurtando, até que 3horas depois chegávamos, finalmente.

A cidade de Agra pareceu-me remota, despida de vida e de alegria, mas o objectivo não era conhecer a cidade, mas apenas a pérola.

Vão por ali, pagam aqui, fazem isto e mais aquilo, um senhor simpático que prontamente se juntou a nós para nos ajudar. Após a compra dos bilhetes (1.000 rúpias cada) e de nos oferecerem uma garrafa de água, lá estava à nossa espera o senhor simpático. Afinal era mais do que isso, afinal era um guia e após tanta insistência (como só os indianos conseguem) e uma boa negociação de preço lá nos convenceu – 700 rúpias para as 5 pessoas e uma visita guiada.

Sem espaço sequer para respirar o autocarro parou. Não podia querer que com o autocarro lotado fossem capazes de o parar 2 metros desde o local de saída, e muito menos que viesse um senhor à janela exigir rúpias, ou em contrapartida o autocarro não arrancava. O curioso é que este autocarro está já incluído no bilhete, faz o percurso das bilheteiras até ao monumento, que são sensivelmente uns 10minutos. Mas mais uma vez aqui na Índia este tipo de situações acontecem a toda a hora e verdade seja dita fazem parte da experiência. 20 rúpias foi quanto paguei contra a minha vontade, e o autocarro lá arrancou.

O sol parecia mais forte do que nunca, o ar era abafado e a água que nos deram já estava quente, mas lá estava ele à nossa frente, o maior louvor ao amor – o Taj Mahal.

Ele sim é tudo e mais alguma coisa que se diz. Não nos deixa sequer desviar o olhar, corpulento e egoísta, é ele e só ele.

Brindou-nos com as suas torres e cúpula e convidou-nos a aproximar-nos com o seu canal de água e jardins, como se nos indicasse o caminho.

Com as “toucas” nos pés e já dentro do monumento olhei para tudo. A visita é curta, na verdade não nos enche o olhar, posso até afirmar que senti um pingo de desilusão. Esperava mais, talvez a culpa seja do seu exterior, mostra-nos a sua grandeza aliada aos seus infindáveis detalhes e inconscientemente faz-nos sonhar com o interior. Mas confesso, com toda a firmeza, o exterior supera todas as eventuais desilusões e faz valer a pena cada minuto do seu vislumbro.

Já longínquo, mas ainda com a magia do local, os meus olhos deixaram de contemplar uma das 7 maravilhas do mundo.

You may also like

Leave a Reply