Índia distante

Fomos companheiras de lua em lua, de sol a sol. Vimos o nascer e o fim do dia repetidamente ao mesmo tempo que os dias do calendário iam-se desvanecendo.

Lembro-me que quando me despedi de ti perguntava-me: “Quando te voltarei a ver?”
Já não te vejo faz uns meses, já não te sinto, já não te oiço, talvez por isso te escreva.

E os dias enchem-se de saudade.

Saudade, esta palavra tão e só nossa. Mesmo que quisesse traduzir-ta em qualquer língua do mundo não seria possível, é única.

Saudades, saudades do cheiro e das cores.

Saudades, saudades da terra, dos sons, da azáfama do dia-a-dia e até do teu calor.

Em paralelo está a melancolia, um querer que um passado se cruze com o presente.

O que fazer então? Mergulho nos pensamentos e consolo-me nas memórias, nada melhor para apaziguar a saudade, – penso eu, mas ao mesmo tempo planta-a ainda mais.
É ambíguo, eu sei. Como são traiçoeiros estes pensamentos…

Quando voltei perdi-me por cá, pela minha terra.

Reparei no céu azul e no mar brilhante que nós temos. Na verdade, reparei em todos os pequenos pormenores como se fosse a primeira vez que depois de um piscar de olhos os via. Sentia falta do meu país, ou melhor sentia saudades do meu país, não fosse eu Portuguesa.
Nesse momento deixei-me consumir, vivi para cá, vivi só para os meus, e continuei nesta dormência.

Acordei aos poucos desta sôfrega absorção, e foi surgindo então:

A saudade.

(sim, esta só nossa saudade portuguesa)

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