O charmoso Além-Tejo, Évora

Passo a passo fui subindo a rua de pedras da calçada, depois de percorrer a praça do Giraldo segui sem direcção definida, fui apenas desbravando as ruas e deixar que os meus pés me levassem para onde eles me quisessem levar. A juntar-se à minha curiosidade acompanhava-me um céu zangado, mas não liguei, fiz de conta que não era nada comigo e continuei.

A cidade é abraçada pelas muralhas que podemos percorrer lado a lado até voltarmos novamente ao ponto de partida.

A cidade é também abraçada pelo conhecimento, pela cultura, não fosse ela dona da segunda universidade mais antiga do país (em primeiro lugar reina Coimbra). Mal aqui cheguei foram estas as duas primeiras informações que me deram, do que se orgulham e querem compreensivelmente partilhar.

Os meus olhos cruzaram-se com umas ruínas do templo romano, a minha desbravura não me atraiçoou, fui dar sem propósito onde penso que queria, ao Templo de Diana.

Entre ruas e ruelas, sempre com a calçada portuguesa no chão, entre catedrais, igrejas, largos e praças, toda a cidade legou o ambiente medieval e esqueci por momentos as cidades citadinas que conhecemos, talvez em que vivemos, entupidas de construção e do frenesim do trânsito.

O sol nasceu e com ele estava eu pronta para mais um dia de descobertas.

A vista era de tirar o fôlego e as escadas íngremes e em caracol para lá chegar também o eram. Vejo os sinos, as torres, as janelas com vitrais, as gárgulas, piso o próprio telhado, oiço os sinos e os passarinhos a cantar, contemplo a vista: é tudo belo. Vejo todos os telhados da cidade, vejo o aqueduto e o melhor de tudo e essencial à paisagem, vejo o verde envolvente, os campos de pasto, não estivéssemos nós no Alentejo. Conseguem imaginar?

Deixei a catedral para trás e continuei a desbravar sem destino, mesmo como eu gosto e fui-me “apresentando” aos mais conhecidos pontos da cidade. Passei os olhos rapidamente pelo jardim público e os seus majestosos pavões que nos fitam ao percorrê-lo. Porque passei os olhos rapidamente? Ora S. Pedro decidiu dar o ar da sua graça.

Nasceu um novo sol e lá fui eu outra vez, pronta para desfiar mais um pouco deste cantinho.

A paisagem agora era outra, parecia um novo livro, muito diferente do anterior. Esta nova história em nada é semelhante com a paisagem medieval que a cidade me habituou até então mas sim com uma paisagem arqueológica.  Pedras erguidas, erguidas em forma de círculo, são menires, o recinto megalítico dos almendres. O carro baloiçava para chegar ao destino e o mesmo aconteceu no regresso, o caminho não é fácil mas a vista compensa e tive ajuda  de um sol forte, um céu azul e limpo, e lembro-me que estamos apenas em fevereiro, mais um presente deste nosso país.

Haveria melhor maneira de me despedir de terras alentejanas? Não me convenço de outra coisa.

Mais uma vez volto a casa orgulhosa do nosso Portugal que nos presenteia com mil e um recantos mágicos. Vou com a vontade de voltar, pelas paisagens e não só, pela calma, hospitalidade e simpatia com que esta Évora me recebeu.

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