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Crónicas

  • Lado a lado com o Ramadão

    “Allahu Akbar”

    Estas palavras ecoam por toda a cidade.
    São 20 horas e estou a caminho da praça Jemaa el-Fnaa, vou conhecê-la pela primeira vez e já conto os minutos para sentir toda a magia de que tanto ouvi falar.

    Do meu Riad até à praça são sensivelmente 10 minutos a pé e eu percorro esse caminho com a leve brisa do vento, só nós duas. Um silêncio tal que até então não tinha ouvido nesta – assim lhe posso chamar – “vivaça” cidade.

    A Koutubia faz-se ouvir e por agora eu já consigo ver o seu topo iluminado por cima dos telhados que me ocupam praticamente toda a vista. Começam a fluir sons que me são estranhos ao mesmo tempo que começa – num piscar de olhos – uma avulta movimentação na rua onde estou. Homens, mulheres, crianças, são famílias vestidas a rigor – não só com os seus trajes típicos, mas também com os seus melhores sorrisos, e movimentam-se numa pressa descontraída não sei bem para onde.

    São 20:50 horas e cheguei finalmente à tão aclamada Koutubia.
    “O que se passará aqui”? penso.
    Estou de frente para a mesquita, mas não lhe vejo o chão, foi “roubado” por tapetes estendidos e vultos que se curvam prestes a ajoelharem-se. Vejo homens de um lado e mulheres de outro, e faz-se silêncio.

    Estamos no ano 1438, no nono mês.

    Neste canto do mundo a contagem dos anos é díspar, o calendário islâmico teve início com a Hégira – fuga de Maomé de Meca para Medina, no ano de 622.
    O nono mês é sinónimo de sacrifício, renovação da fé, prática da caridade e imersão da fraternidade e valores da vida familiar.
    Da alvorada ao pôr do sol pratica-se o Saum (jejum ritual), não se come, não se bebe e não se fuma.
    Para além das cinco orações diárias neste nono mês recita-se uma oração especial, a oração noturna – Taraweeh.
    Foi durante o nono mês que o profeta Maomé recebeu as primeiras revelações do Alcorão, razão pela qual este mês é sagrado.
    E é durante este nono mês que se vive o Ramadão.

    O silêncio continua.

    São 21 horas.

    “Allahu Akbar”

    Estas palavras ecoam por toda a cidade.

    Taraweeh vai começar.
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